A história de Santa Ana e São Joaquim, os avós maternos de Jesus Cristo, é uma das mais belas e antigas tradições do cristianismo. Embora eles não sejam mencionados nos Evangelhos canônicos da Bíblia (Mateus, Marcos, Lucas e João), sua história chegou até nós por meio de textos apócrifos antigos, principalmente o Protoevangelho de Tiago, escrito por volta do ano 150 d.C.
Como curiosidade, o Dia de Santa Ana e São Joaquim é celebrado exatamente em 26 de julho, data que inspirou a criação do Dia dos Avós!
A Vida Piedosa e a Provação da Infertilidade
Joaquim era um homem rico, justo e profundamente devoto de Nazaré (ou Jerusalém, segundo algumas tradições). Ele e sua esposa, Ana, eram conhecidos por sua generosidade: dividiam seus bens em três partes, doando uma para o Templo, uma para os pobres e viúvas, e guardando a última para si. Apesar de se amarem muito e serem fiéis a Deus, enfrentavam uma grande dor: eram estéreis e já estavam em idade avançada. Naquela época e cultura, a ausência de filhos era frequentemente vista como uma punição divina ou um sinal de desonra social.
A Rejeição no Templo e o Exílio no Deserto
Certo dia, durante uma grande festa, Joaquim foi ao Templo de Jerusalém para oferecer seus sacrifícios a Deus. No entanto, o Sumo Sacerdote rejeitou sua oferta de forma humilhante, afirmando que um homem sem filhos não era digno de apresentar oferendas, pois não havia deixado “descendência em Israel”. Profundamente entristecido e envergonhado, Joaquim não voltou para casa. Em vez disso, ele se retirou para o deserto, junto aos pastores, onde jejuou e orou a Deus por quarenta dias e quarenta noites, pedindo que sua oferta fosse aceita e que o Senhor lhe concedesse um filho.
O Lamento e a Promessa de Ana
Enquanto Joaquim estava no deserto, Ana permaneceu em casa. Ela chorava amargamente por dois motivos: a dor de sua esterilidade e o desaparecimento de seu marido, temendo que ele estivesse morto. Em um momento de profunda angústia, enquanto rezava debaixo de uma árvore de louro no jardim, Ana fez uma promessa solene a Deus: se Ele lhe concedesse uma criança, ela a consagraria inteiramente ao serviço divino no Templo.

A Visitação do Anjo
Deus ouviu as preces de ambos. De acordo com a tradição, um anjo do Senhor apareceu primeiro a Ana, dizendo-lhe: “Ana, Ana, o Senhor ouviu a tua oração: conceberás e darás à luz, e da tua descendência se falará em todo o mundo”. Simultaneamente, um anjo apareceu a Joaquim no deserto, trazendo a mesma mensagem de esperança e ordenando que ele voltasse para casa, pois sua esposa iria conceber.
O Encontro na Porta Dourada
Cheio de alegria, Joaquim reuniu seus rebanhos e marchou de volta para Jerusalém. O anjo havia dito a Ana para ir ao encontro do marido. Eles se encontraram na Porta Dourada de Jerusalém (um dos portões da cidade sagrada). Lá, os dois se abraçaram emocionados, compartilhando a notícia das visões angelicais. Esta cena do abraço na Porta Dourada tornou-se um dos temas mais clássicos e belos da arte sacra cristã, simbolizando a concepção imaculada de Maria, fruto de um amor puro e abençoado por Deus.
O Nascimento e a Consagração de Maria
A promessa do anjo se cumpriu e Ana deu à luz uma menina, a quem chamaram de Miriam (Maria). Ana e Joaquim cuidaram dela com imenso amor durante os primeiros anos de sua vida. Quando Maria completou três anos de idade, seus pais, cumprindo a promessa que haviam feito, levaram a menina ao Templo de Jerusalém para ser apresentada a Deus e dedicada ao serviço do Templo, onde ela cresceu em graça e pureza, preparando-se para se tornar a mãe de Jesus.
O Legado dos Santos Avós:
A história de Ana e Joaquim é um símbolo de paciência, perseverança na fé e confiança nos planos divinos. Como os avós que carregaram no colo a mãe do Messias, eles foram declarados os padroeiros de todos os avós e das mulheres que desejam engravidar.